terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Cochicho

Meu amor não tem segredos
Se agrega, se prega
Enlaça e arregaça
Soltas

Fresta
Inquieta
Irrelevante
Opaca.
Fresta que me resta
Do pouco de luz dessa janela
Do tanto de sonho que me testa
Da angustia que não passa nessa aresta
Naco de sol que banha a sala
Traz de volta o tempo que perdi
A palavra que errei
Os desejos que calei
E esse incomodo solfejo de ir além
Soltas

Fresta
Inquieta
Irrelevante
Opaca.
Fresta que me resta
Do pouco de luz dessa janela
Do tanto de sonho que me testa
Da angustia que não passa nessa aresta
Naco de sol que banha a sala
Traz de volta o tempo que perdi
A palavra que errei
Os desejos que calei
E esse incomodo solfejo de ir além
Entre Aspas


Sorrio pro amor que corroi os dentes
Estala o vidro e os ossos
E que não mente

O amor é uma dor que não rima com felicidade
Entregue

Faço teu mapa de olhos fechados
Desmembro as notas de teus cheiros
E identifico as nuances dos tons de sua voz.
Ouço seus passos e desvendo seu rumo
Inspiro e vejo seus temores
Protejo seu corpo dos desvalidos
E sua alma de seu auto purgatório.
Entendo seus dramas
Rio de suas comédias
Disfarço seus segredos
Leio seu destino
Camuflo seus erros
E te teço amor em todas as circunstancias.

Eu não te conheço
Não te conheço, não te conheço
Mas você é meu.
Moço, olha só o que te escrevi
parecem folhas de vento de outono
mas são sentimentos
Moço, olha bem o que senti
quando te vi na praça hoje
nem sei se lamento.
É tanto ardor, tantas palavras
que nem sei se é amor
ou apenas temperamento.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007



DESPEDIDA



Acreditei que tu eras meu sol
E que minhas estradas finalmente teriam luz.
Acreditei em cada dúvida sua
E tornei elas minha verdade.
Te vi como um mago incandescente
Que me fazia corar.
Te amei de verdade no primeiro minuto que te conheci
Ou até antes.
Vi as páginas de nosso livro e os desenhos de sua diagramação.
Sonhei com nossos sonhos em comum e incomuns.
Mas tu me olhas como um paraquedas aberto
A tudo que te envolve.
E má, mentirosa, perversa
Usando da perfídia para atingir minha meta.
Tu não sabes que o amor é uma mentira?
Dele me banhei acima da cabeça
Com as lágrimas que derramei por você.
E é de sua raiva que me seco.
Essa idade te confere a burrice dos anos
E a incompreensão dos caminhos.
Te faz dono da verdade
Enquanto tu não és nada além de aprendiz.
Tenho a verdade do amor presente em meus olhos
Impossíveis de mentir.
E a dor aguda de tua indolente espada,
Injusta espada,
Que fere inocente
O puro e correto coração.
Nada perco porque nada tenho
Mas tu me tens e escorro pelos seus dedos
Doce demais para seu paladar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007



Meu

O que é meu que vai embora
hemorrágica saída
que transborda em mágoa?

O que é meu que ignoras?
Respeito: te imploro.
Doces mentiras que contas a si mesmo...
Tens um tufão no peito se remoendo por mim
Disfarça...
Farça!
Teu olho volteado se abre de encanto
e pasmo tu me escapas.
Menino travado no tempo
do certo e do errado.
Quimera e imperfeito ardem
O sexo é palavra casta
A boca semi-aberta seca.
Tremes...
Tu me escapas e ri acreditando.
Vai embora.
Te ofereço o mundo e você não sabe o que é isso.


Postúma

Já ouvi você se declarar
Vi você chorar
Percebi também sua palavra
Presa na garganta.
Meus poemas rasgados
já causaram emoção.
Minhas loucuras já te extasiaram
e provei o delírio de tua rotina.
Nossos sonhos se misturaram um dia
e talentosas, as cores se combinavam.
Sua música encontrou minha letra
e teu calor encobriu minha nuca.
Seus dentes já cerraram meu medo
e teus braços cortaram minha fuga.
A cálida descoberta esvaindo em nossas mãos...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Preciso de sexo
para aplacar minha fúria de tédio
e concentrar minha mais terna energia.
Sexo nos dentes
roendo os ossos de fúria
travando o corpo de desejo
e a insanidade da inconstância.
Suspiro intenso
vertente de angustia
sexo dentro de mim
no corpo e na aurea
aquele sexo que te deixa pasma
que te sufoca
te replica
Sexo, apenas isso.