quinta-feira, 13 de setembro de 2007



Meu

O que é meu que vai embora
hemorrágica saída
que transborda em mágoa?

O que é meu que ignoras?
Respeito: te imploro.
Doces mentiras que contas a si mesmo...
Tens um tufão no peito se remoendo por mim
Disfarça...
Farça!
Teu olho volteado se abre de encanto
e pasmo tu me escapas.
Menino travado no tempo
do certo e do errado.
Quimera e imperfeito ardem
O sexo é palavra casta
A boca semi-aberta seca.
Tremes...
Tu me escapas e ri acreditando.
Vai embora.
Te ofereço o mundo e você não sabe o que é isso.


Postúma

Já ouvi você se declarar
Vi você chorar
Percebi também sua palavra
Presa na garganta.
Meus poemas rasgados
já causaram emoção.
Minhas loucuras já te extasiaram
e provei o delírio de tua rotina.
Nossos sonhos se misturaram um dia
e talentosas, as cores se combinavam.
Sua música encontrou minha letra
e teu calor encobriu minha nuca.
Seus dentes já cerraram meu medo
e teus braços cortaram minha fuga.
A cálida descoberta esvaindo em nossas mãos...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Preciso de sexo
para aplacar minha fúria de tédio
e concentrar minha mais terna energia.
Sexo nos dentes
roendo os ossos de fúria
travando o corpo de desejo
e a insanidade da inconstância.
Suspiro intenso
vertente de angustia
sexo dentro de mim
no corpo e na aurea
aquele sexo que te deixa pasma
que te sufoca
te replica
Sexo, apenas isso.





Ouço um barulho
meu estomago roça
tenho medo de sons

Ouço outro barulho
minhas mãos tremem
escondo as provas

Silencio absoluto
e incognita fico diante dos fatos

Ouço passos
e ruidos disconexos
pasma estou
de olhos arregalados

Palmas

Presa a sombra que invade
meu corpo
e trepida meus
mais valorosos delírios.

TERROR

Não tenho medo de nada
só da falta de ar
só da falta de comida
só o medo da falta de amar

Não tenho medo de nada
só da miséria da vida
só da injustiça
só o medo de ficar segura demais

Avisto a pobreza pelas ruas
observo bem perto de mim tudo o que temo
nada posso fazer
nada quero fazer
porque não tenho forças
porque tenho medo de não conseguir mudar

Ouço rumores de insanidade
os homens estão loucos
estão pasmos de burrice
tenho medo de me transformar em igual

Medo: espectro paralizante.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

EXPERIÊNCIAS
Cheiro de vento
de sol
de alegria
de vida intensa.
Cheiro de música
de tons
de temas
de poemas vivos.
Cheiro de ritos
de mitos
de mimos
de risos intenso.
Cheiro de delirio
de sexo
de ternura
de você em mim.
Som que trepida
que seringa
que esfarela
que ressoa em mentes .
Tens o cheiro que quero ter nas minhas narinas
tens o som que quero perpetuar em meus ouvidos
quero o teu vicio
o teu risco
o teu siso
sem limites para voar.
Sem normalidades
sem interrupções.



Escondo que tu és o meu sol
para as opacas estrelas
de tua constelação não se enciumarem.
Mas tu és, inevitavelmente, meu sol.


ÀS VEZES


Espera...
não venha de histórias
chega de histórias
as mesmas histórias...

Completa
as lacunas que deixou
e preenche o vazio que fica
em tua consciente ausência.

Morri.



DE FATO:


Eu quero a diferença que me faz te olhar de frente
eu te completo e vc me basta:
eu quero você perto.

Você pode me ver como quiser
sou de mil maneiras
e te agrado da forma que lhe couber.

Disfarço minha máscara e as vezes esqueço de ser mulher
mas sou feita de amor
e não me oculto.

Sou teu rio que flui e desagua em tempestade.
Enxerga em mim a tua mão delirante
e navega em meu corpo de mistérios.

Tenha medo e respire fundo!
sou imperfeita e disposta a te dar um mundo bem complicado
para você desvendar.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

FINITO









Fui saber o que é o desejo
e cai no buraco da dúvida
e de lá não sai.
Ecoa em mim a saudade
que desperta o mundo
com seus gritos de dúvida.
Miragem em mim
te ver tão perto,
estendo minha mão e não te encontro.
Tenho que chorar para ver se passa...
ai, que não passa!
Ouço música para esquecer
e só lembro que é dela que você mais gosta.
Aborto a música
Ignoro o tempo
e sentencio a mim mesma
com esse amor recolhido,
incógnito
para durar a eternidade
que couber dentro de mim.